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O aumento da produção de resíduos orgânicos e a gestão inadequada destes têm provocado sérios impactos ambientais na região, como a contaminação do solo e da água, além da emissão de gases poluentes. Diante deste cenário, professores do ISCED-Uíge apresentaram uma solução inovadora e de baixo custo: a construção de um biodigestor adaptado com materiais recicláveis e acessíveis no mercado informal local.
Iniciativa
O projeto foi desenvolvido pelos investigadores António Nguinamau Paca Samuel, Pedro Ângelo Miranda e Alves Mbunga Makonga, que criaram um biodigestor anaeróbico de fluxo ascendente com capacidade para 20 litros. O equipamento foi equipado com sistema de monitorização de pressão, temperatura e pH. Para os testes, foram utilizados 8,95 kg de resíduos orgânicos (cozidos e não cozidos), misturados com 6,4 litros de água, totalizando 15,4 kg de substrato. O sistema foi acompanhado durante 60 dias, com análises físico-químicas e testes de combustão para verificar a formação de metano.
António Nguinamau Paca Samuel.
Ex estudante do ISCED-Uíge
Pedro Ângelo Miranda.
Professor ISCED-Uíge
Alves Mbunga Makonga.
Professor ISCED-Uíge
Resultados promissores
Os testes demonstraram uma decomposição significativa da matéria orgânica, com produção gradual de biogás que se aproximou do rendimento teórico de 0,715 m³. O pH variou entre 5,1 e 6,9, a temperatura entre 22 °C e 28 °C, e a pressão máxima registada foi de 30 mmHg. No teste de combustão, a chama azul confirmou a presença de metano.
Impacto e futuro
Segundo os autores, o biodigestor mostrou-se viável técnica, económica e pedagogicamente, constituindo uma alternativa sustentável para a gestão de resíduos orgânicos. Além de reduzir a poluição, o sistema permite a produção de biogás e biofertilizante, reforçando práticas de economia circular e educação ambiental no Uíge.